
todos somos bons em recomeços. é só uma questão de adaptar o corpo e a mente para sair da inércia. mas não. nem sempre é simples. este espaço virtual existe há longos oito anos e há um bom tempo ficou resguardado vivendo só de memórias – e será assim até a hora da publicação deste texto, o movimento que vai finalmente nos tirar da inércia.
vamos confessar que oito anos é tempo pra caramba. dá tempo de não sermos mais os mesmos, de revisitar vários eus e perceber como muita coisa ou tudo mudou – e ainda bem. mas teve algo interessante que aconteceu nesse tempo de pausa. sempre que visitei esse lugar entendi que ele foi um dos espaços em que mais coloquei meu esforço com propósito.
a proposta do leve-se sempre foi muito clara, falar daquilo que move, motiva, movimenta e que traz força vital – aquela história do sentido da vida, sabe? o lance do “o que você faria até de graça?”. partindo da paixão por cultura, por histórias de gente, de lugares, de conteúdos que trouxessem um pouquinho de ar fresco, juntei amigos queridos que também queriam escrever e esse projeto nasceu. exatamente no meio de uma pandemia, foi o lugar onde eu e esses amigos pudemos partilhar boas histórias enquanto um mundo de apreensão e medo se montava ao nosso redor.
outros projetos vieram, algumas prioridades mudaram e esse espaço minguou. nunca quis terminar com ele e hoje entendo – ultimamente a vida tem gostado de mostrar isso – que, por mais clichê que possa soar, existe o tempo certo de algumas coisas. é como se essa pausa estivesse esperando pelo momento certo e acho que ele se apresentou exatamente agora.
um novo porto de partida
oito anos e um oceano depois de iniciar esse projeto em santa maria, no interior do Rio Grande do Sul, no momento em que escrevo este texto vivo no Porto, em Portugal (mas talvez já não mais quando você estiver lendo este texto). fato é que essa fase fez parte de um sonho antigo que tomou forma e que vivi por mais de um ano. minha ânsia em fazer dessa experiência algo além da conclusão da minha tese de mestrado é algo que tem me tirado o sono muitas vezes. a sensação é de que preciso fazer valer tudo o que vivi por esses 18 meses, deixar menos abstrato o ativo intangível dessa experiência.
e então um belo dia, no meio de uma insônia, eu volto a visitar esse lugar. leio esse nome. releio. revejo com carinho esse projeto adormecido e que eu já tinha deixado de lado por talvez um pouco de cansaço. olho pra onde estou. olho para o nome dele. e parece então que nunca fez tanto sentido.
é sobre o movimento de se permitir levar, criar a coragem de construir os próprios caminhos (e como precisamos disso no outro lado do oceano), e aprender andando. é sobre o que se ganha no processo: não sobre o fim, mas o que se faz no meio e sobre não parar, nunca, jamais, em hipótese alguma, de se permitir.
a cidade do porto foi meu ponto de partida (e cada vez essa frase tem mais sentidos). é porque foi lá, longe de tudo o que é mais confortável na minha vida, que amadureci esse processo e muitos outros, e trago esse projeto com um pouco mais de ar.
o leve-se volta com o propósito de ser essa fresta, mas sem pressa. uma espécie de slow living, podemos chamar de slow content. quero falar de destinos, de lugares, de experiências e do que tenho aprendido andando. quero também falar de gente que inspira nesse mundo doido – o espaço para isso é inegociável; faz parte do que me constitui como gente ouvir histórias, escrever sobre elas e poder compartilhar. na editoria de crônicas tem lugar pra papos intimistas e reflexivos – uma arejada leve na cabeça, como o propósito que esse texto tem.
também quero trazer aqui uma curadoria de conteúdos que vai ser preparada com muito carinho, das coisas que fazem sentido pra quem anda e pra quem sente: livros, roteiros, ideias, projetos.
alguém me incentivou (talvez sem saber), alguns dias atrás, a retomar esse lance do “o que você faria até de graça?”, argumentando que vê nos meus sonhos um propósito que me deixaria genuinamente feliz. eu desacreditei um pouco no início, pensando no “trabalho que dá”, mas terminando esse texto, às 2h40 da manhã da primeira segunda feira do ano, quero dizer que eu estou mais perto de acreditar que esse pode ser o caminho com mais verdade e mais sentido.
por enquanto é só um porto de partida. porque a gente costuma aprender andando. e e continuando, e continuando. ainda bem.
